Há 50 anos, a Igreja Católica realiza a Campanha da Fraternidade e reflete temáticas de grande relevância para a sociedade brasileira. Este ano o tema é FRATERNIDADE E JUVENTUDE, a exemplo da edição de 1992, que também abordou o tema JUVENTUDE CAMINHO ABERTO.
O Objetivo Geral da Campanha é: Acolher o jovem no contexto de mudança de época, proporcionando caminhos para o seu protagonismo no seguimento de Jesus Cristo, na vivência eclesial e na construção de uma sociedade fraterna fundamentada na cultura da vida, da justiça e da paz. Quando falamos em acolher o jovem, não significa ficar sentado esperando ele vir ao nosso encontro e sim ir ao encontro deste jovem, como nos propõe o lema: "Eis-me aqui, Envia-me."
Refletimos este tema em três grandes partes: o Ver, o Julgar, e o Agir. Na primeira parte percebemos vários aspectos que nos levam a pensar na vida dos jovens na sociedade, como as transformações culturais e o perfil da juventude brasileira. Na segunda parte temos um olhar sobre os Jovens nas Sagradas Escrituras, os jovens na história da Igreja, os jovens seguidores de Cristo, os jovens no coração da Igreja e o protagonismo juvenil. Na terceira, temos indicações para ações transformadoras: abrir-se ao novo, converte-se ao jovem, além de trabalhar em três âmbitos: pessoal, eclesial e social.
Jesus Cristo veio para que tenhamos vida e vida em abundancia. De fato, a cultura da vida corre como o sangue em nossas veias, mas infelizmente, pouco a pouco vai dando lugar a uma cultura de consumo e de morte. Hoje morrem mais de 18mil jovens por ano no Brasil e em 10 anos cresceu 300% o homicídio de jovens no Estado. O que está levando a isso? Vivemos em uma cultura midiática supondo que todos têm acesso as mídias. O que faremos com os que não têm acesso? A maior parte dos presos em nosso estado é jovem. Como mudaremos isso? Educação de qualidade é privilégio de poucos. Por quê? Saúde e lazer são para quem tem como pagar. A redução da maioridade penal não pode ser aceita (CNBB, Doc. 85 n. 309). Temos que discutir tudo isso.
O Documento de Aparecida nos diz: "Em ambos os setores da população, e especialmente entre os jovens, cresce o desencanto pela política e particularmente pela democracia, pois as promessas de uma vida melhor e mais justa não se cumpriram ou se cumpriram só pela metade." (Doc. Ap. 77). No entanto, como juventude organizada da Igreja e ouvindo o apelo do Papa Bento XVI em seu discurso aos jovens no estádio do Pacaembu em maio de 2007, queremos assumir um maior compromisso nos mais diversos espaços de ação.
Tendo em vista todas essas questões, reivindicamos a criação efetiva do Conselho Estadual da Juventude do Estado de Santa Catarina, como prevê a Lei nº 14.872, de 13 de outubro de 2009. A ideia é criar um órgão de participação e influência direta dos jovens sobre as políticas públicas destinadas à população entre 16 e 29 anos.
Protagonizamos conquistas e continuamos querendo mudar o mundo. Somos de todas as cores, raças, gêneros, somos o incompreensível, o dito problema, somos insegurança, somos tudo e nada, somos a solução, somos protagonistas desta nação, somos a força, a coragem… SOMOS o que somos e não temos vergonha de dizer isso. Não somos apenas o futuro, até porque quando o futuro chegar não seremos mais jovens. SOMOS O PRESENTE e como tal respondemos ao chamando de Deus dizendo: "Eis-me aqui, envia-me." (Is 6,8).
Florianópolis, 04 de março de 2013
Juventude Catarinense