
As Festas do Tempo do Natal nos recordam o valor insubstituível e fundamental da família. A Igreja nos últimos tempos vem assumindo, corajosamente, a sua função profética em defesa da família. Em meio a tantas contradições de nossos dias, das ameaças e desafios que ininterruptamente vêm sofrendo nossas famílias, é necessário aproveitar este fim de ano, as festas natalinas, para redescobrir o valor e a graça de se ter uma FAMÍLIA.
TUDO PELA FAMÍLIA!
Tenho a convicção de que muitas vezes é necessário fugir para o Egito, isto é, fugir do perigo, ter a coragem de dizer “não” ao pecado, a tudo o que pode destruir a família. A família está constantemente ameaçada. Sofremos injustiças e agressões em todos os níveis. Já não sabemos mais o que fazer diante da situação vergonhosa do mundo político, como sobreviver numa economia ainda de exploração e exclusão, numa sociedade injustamente desigual e violenta, num contexto social em que tudo é permitido, tudo pode e nada pode, num tempo de tantas contradições… A exemplo da Sagrada Família, é hora de despertar, acordar para a realidade e, destemidamente, sob o amparo de Deus, fugir dos Herodes de nossos dias. Que estas palavras, sejam como as palavras do anjo: “Levanta-te, pega o menino e sua mãe e foge para o Egito… Porque Herodes vai procurar o menino para matá-lo” (Mt 2, 13). É preciso fazer tudo pela Família!

Assim canta Pe. Zezinho: “Tudo seria bem melhor se o Natal não fosse um dia e se as mães fossem Maria e se os pais fossem José, e se a gente parecesse com Jesus de Nazaré”. Ser como a Família de Nazaré, eis a nossa missão!
O Natal é época de retorno ao lar, da família. Isto tem significado psicológico e religioso: de tempos em tempos, o ser humano necessita voltar às origens, à família, às raízes. Espiritualmente falando, fazemo-lo em nossas celebrações litúrgicas, renovando as nossas “origens sagradas” ao celebrarmos o nascimento do Senhor. Tudo começou na manjedoura, na gruta. Mas a casa da família foi o ambiente onde primeiro aprendemos a respeito da fé, e dela somos nutridos. Para o povo judeu outrora, era dever sagrado retornar ao lar e à família. Quando celebramos um ano jubilar aprendemos que cada um deve retornar a seu patrimônio, que cada um deve retornar ao seu clã, à sua casa (cf. Lv 25, 10). Assim, o Natal é a celebração da família. Especificamente, no contexto das festas natalinas, tem destaque a Festa da Sagrada Família. Introduzida inicialmente em 1893, numa época em que a família cristã estava sob a ameaça de forças seculares, esta festa de origem devocional foi assumindo caráter profético-transformador. Para todos, a Sagrada Família de Nazaré foi proposta como modelo e fonte de inspiração e auxílio.
Assim, como Igreja, rezemos: “Ó Deus de bondade, que nos destes a Sagrada Família como exemplo, concedei-nos imitar em nossos lares as suas virtudes para que, unidos pelos laços do amor, possamos chegar um dia às alegrias da vossa casa” (Missal Romano: Oração do dia – Festa da Sagrada Família: Jesus, Maria e José).
SER FAMÍLIA NO SENHOR
Que a exortação de São Paulo, proclamada na Celebração da Sagrada Família, seja vivida por todos nós: “Tudo o que fizerdes, em palavras ou obras, seja feito em nome do Senhor Jesus Cristo. Por meio dele dai graças a Deus, o Pai. Esposas, sede solícitas para com vossos maridos, como convém, no Senhor. Maridos, amai vossas esposas e não sejais grosseiros com elas. Filhos, obedecei em tudo aos vossos pais, pois isso é bom e correto no Senhor. Pais, não intimideis os vossos filhos, para que eles não desanimem” (Cl 3, 17-21).
FELIZ NATAL a todas as FAMÍLIAS!
Pe. Tarcísio Pedro Vieira